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Editorial

FEVEREIRO DE 2016 - Editorial

O tratamento da esclerose múltipla alterou significativamente a evolução da doença na última década. Existem a disposição atualmente inúmeros medicamentos inseridos no Programa de Medicamentos de Alto Custo do Ministério da Saúde. De acordo com protocolos internacionais os pacientes devem ser medicados aplicando o escalonamento dos medicamentos, assim iniciamos o tratamento com interferons e∕ou acetato de glatirâmer. Se não houver resposta adequada, inicia-se o uso de Natalizumabe,  Fingolimode  e outros.

Há alguns anos preconizou-se o transplante autólogo de médula (TMO) para doenças oncológicas (mieloma, leucemia e outras). Este procedimento é utilizado quando a resposta aos medicamentos convencionais é inadequada. Saliento esta terapia é de alta complexidade e realizada apenas em Hospitais dotados de recursos para tal, uma vez que durante o tratamento o paciente perde temporariamente a defesa imunológica, com alta susceptibilidade às infecções. Em doenças autoimunes (lúpus, esclerose múltipla, etc.) a indicação do TMO é destinada apenas para pacientes com falha terapêutica e com sinais e sintomas de progressão da doença e atividade inflamatória. Os resultados nestas enfermidades denotam apenas retardo na piora, ou seja, não leva a CURA. O TMO não está indicado para doenças degenerativas (esclerose lateral amiotrófica).

O último relato recente na mídia referente ao tema é incorreto. A esclerose múltipla é uma doença crônica, como tanto outras (diabetes, hipertensão, artrite e outras), são perfeitamente controláveis com medicação adequada prescrita por médicos experientes.

 

Prof. Charles Peter Tilbery

Coordenador do Catem