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Desconhecimento sobre esclerose múltipla atrasa diagnóstico

10/09/2010

- Sou esclerosada, não louca.

Esta é uma brincadeira criada pela publicitária Bruna Rocha Silveira, 24 anos, depois de passar 10 anos explicando para amigos e conhecidos a diferença entre esclerose, forma popular para se referir a doença mental, e esclerose múltipla. Aos 14 anos, cursando o 1º ano do Ensino Médio, em Passo Fundo, ela viu a vida se desestabilizar.

Apesar de ser mulher e de cor branca, características de propensão à doença, Bruna não estava na faixa etária de risco, dos 20 aos 40 anos, quando recebeu o diagnóstico. Para não ter de falar em voz alta, o médico entregou para a mãe da adolescente, Sônia Nunes Rocha, 52 anos, um bilhete com a mensagem: “Ela tem esclerose múltipla”.

- Quando ele fez isso, pensei: “Meu Deus, o que será que eu tenho? Vou morrer amanhã!” - relembra.

Sônia, que é fisioterapeuta, explicou para a filha que a enfermidade que atingia o cérebro e a medula espinhal era incurável, degenerativa, mas que a vida não terminava ali. Era o começo de uma fase de experimentações e de conhecimento do próprio corpo, uma realidade para 2,5 milhões de pessoas no mundo.

No Brasil, estima-se que haja 35 mil portadores, de acordo com a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (Abem). Uma pesquisa realizada em São Paulo mostrou que a prevalência era de 15 casos para 100 mil habitantes. Há indícios de que a incidência seja maior no Rio Grande do Sul, pois é mais frequente em cidades de clima frio, conforme Sérgio Roberto Haussen, chefe do Serviço de Neurologia da Santa Casa de Porto Alegre e professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.

Por ser invisível e silenciosa, na maior parte dos casos, a esclerose múltipla é mais uma, entre tantas doenças, de difícil constatação e de tratamento tardio. A demora para que o paciente chegue ao diagnóstico fica em torno de cinco anos, conforme o neurologista Rodrigo Thomaz, do Centro de Atendimento e Tratamento da Esclerose Múltipla (Catem) da Santa Casa de São Paulo. Muito dessa resistência em procurar o médico está no desconhecimento dos sintomas, que surgem em surtos e podem causar tontura, dormência em membros, desequilíbrio e dificuldades para enxergar.

- É uma doença que não se reconhece só de olhar para a pessoa, como no meu caso. Como não aparece, as pessoas não acreditam na gente, e é isso que faz com que a maioria ache que quem tem esclerose múltipla é preguiçoso, manhoso etc. - diz Bruna, que não apresenta sinais constantes do problema, mas já teve surtos em que precisou usar bengala por até cinco meses.

Para esclarecer quem desconfia e para amenizar a dor daqueles que também têm a doença, Bruna começou há mais de um ano a dividir suas experiências na internet pelo blog Esclerose Múltipla e Eu.

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