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Brasil ganha banco de dados sobre novos tratamentos

21/12/2010
Autor(es): Agencia o Globo/ Antônio Marinho 
O Globo - 15/12/2010
 
No Rio, instituto investe na formação de cientistas e em estudos de doenças degenerativas, cardíacas e câncer
 
Pessoas que sofrem de doenças crônicas, raras ou degenerativas têm agora um novo recurso para tentar achar uma solução para seus problemas de saúde. Será inaugurado amanhã, em Brasília, o Registro Brasileiro de Ensaios Clínicos (Rebec); um banco virtual com todos os estudos médicos feitos no país, que avaliam em humanos os efeitos de novos remédios e procedimentos como cirurgias, terapias de reabilitação e complementares. O projeto permitirá a transparência e a divulgação das pesquisas, inclusive aquelas que falharam.
Apesar de o principal objetivo do Rebec ser informar cientistas sobre os ensaios clínicos brasileiros, pacientes podem usar o site www.ensaiosclinicos.gov.br para acompanhar estudos em curso e contactar os responsáveis; e até para saber se há seleção para uma pesquisa, diz o médico Ricardo Gamarski, da Coordenação de Gestão do Conhecimento no Departamento de Ciência e Tecnologia (Decit) do Minstério da Saúde.
E o Rebec terá dados sobre os ensaios brasileiros em português. Como não havia uma plataforma para registro no país, nossos estudos eram registrados majoritariamente no Clinical Trials nos Estados Unidos e, portanto, só estavam disponíveis em inglês:
- Agora será mais fácil para os pacientes portadores de doenças raras, por exemplo, localizarem os ensaios em andamento aqui. Estimamos que teremos cerca de 200 ensaios registrados por ano.
O sistema incluirá os estudos em que a intervenção se mostrou ineficaz ou nociva.
- Os estudos serão registrados independentemente de seus resultados - diz.
O repositório é resultado de parceria entre o Ministério da Saúde e a Fundação Oswaldo Cruz junto à Organização Pan-Americana de Saúde e Organização Mundial de Saúde, e ao Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (BIREME/OPAS/OMS). E ele usa o sistema OpenTrials no qual os dados podem ser exportados para a International Clinical Trials Registry Platform.
Mais recursos para pesquisadores brasileiros
Outro projeto - lançado ontem no Rio - que ajudará a melhorar a qualidade de vida de quem sofre de doenças graves é o Instituto Huma - Desenvolvimento Tecnológico para a Humanidade. Sua proposta é investir em tecnologias e capacitar profissionais para atuarem na pesquisa de problemas de saúde complicados ou ainda sem tratamento -- como epidermolise bolhosa (doença grave de pele), males cardíacos, derrames, pseudoartrose, esclerose múltipla e câncer. O Huma ainda prestará assistência a pacientes, como cardiopatas.
Para estimular a pesquisa de novos tratamentos, o Huma - entidade filantrópica e privada - fará parcerias com universidades e instituições brasileiras e estrangeiras. Segundo o Secretário municipal de Saúde, Hans Fernando Dohmann, que participa do projeto; num primeiro momento, as áreas que receberão maior atenção são cardiologia, neurologia, ortopedia/reumatologia, dermatologia e medicina desportiva.
- Uma área de grande interesse é a biotecnologia. Já em 2011 devemos ter os primeiros resultados na pesquisa em engenharia de tecidos - diz. - A terapia genética também deve avançar no país com a criação do Instituto. A medicina esportiva é importante, já que estamos formandos novos atletas visando as Olimpíadas de 2012.
Por enquanto, o Huma tem apenas um espaço virtual, mas o projeto inclui a construção de um espaço físico, incluindo laboratório para testar os estudos brasileiros. E a instituição manterá programas de residência médica, cursos de pós-graduação e de extensão realizados em parceria com centros de referência aqui e no exterior
 
Fonte: PLANEJAMENTO GOVERNO BRASIL

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