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Retirar abelhas de casas não é com as prefeituras

08/02/2011

A pensionista Sebastiana Sanches, 66 anos, está com um problema: há aproximadamente um ano convive com cerca de 15 marimbondos que se instalaram na lavanderia da sua casa, no Jardim Irene, em Santo André. "Morro de medo de vir estender roupa e eles me atacarem."

Se quiser se livrar dos insetos, vai ter de colocar a mão no bolso, uma vez que nem o Corpo de Bombeiros nem a Prefeitura tem aparato ou conhecimento para retirá-los de lá. Uma das opções que ela tem é chamar Antonio Padovani Junior, 54, o Toninho das Abelhas. Apicultor e especialista em captura e retirada de colmeias de abelhas, vespeiros e marimbondos há 26 anos, ele atua em todo o Estado. "Até em Centro de Zoonoses já fui para retirar abelhas e marimbondos."

Morador de São Caetano há 53 anos, Toninho fez cursos de apicultura, mas seu principal ofício aprendeu depois de muita picada - dez a 20 por dia. "Não existe curso de captura de abelhas. Isso a gente aprende no cotidiano."

Ele é a única pessoa do Grande ABC que faz esse trabalho. No verão, época em que as abelhas se multiplicam com maior velocidade, ele sofre para dar conta de todos os chamados: por dia, são de dez a 20 solicitações. "Mais da metade das pessoas que me ligam acha que têm abelhas em casa, mas na verdade têm marimbondos ou vespeiros."

Mas ele garante que isso não é motivo para alarde ou preocupação. "Um ninho de marimbondo pode ficar décadas no mesmo lugar, sem prejudicar ninguém. Depois, o certo é ligar para a Prefeitura e procurar por alguém especializado nesse trabalho."

No caso de abelhas, ele explica que elas procuram abrigos escuros e secos, como forros, porões e caixas vazias. "Se elas pousarem em parte externa da casa é só para repouso, não precisa ficar assustado."

O problema é encarar com naturalidade um enxame com cerca de 30 mil abelhas pousando na beirada do telhado da casa.

Hora marcada para receber picadas 

Há quem procure pelas picadas das abelhas de Toninho, e com hora marcada. Pacientes em tratamento contra bursite, artrite reumatoide ou até esclerose múltipla são alguns deles. No caso das doenças mais graves, são até 50 picadas por semana. "Não cobro nada, porque não sou terapeuta, mas tem dado resultado. As pessoas preferem a dor da picada à dor das doenças. Elas se sentem melhor durante a semana".

A diminuição da dor causada pela artrite está associada a um cortisol chamado glicocorticoide. Trata-se de uma substância que o próprio corpo produz, cuja quantidade aumenta para diminuir as inflamações.

Toninho costuma fazer um teste de alergia antes de iniciar a terapia. Mesmo nos alérgicos, ele segura as asinhas das abelhas de modo a render micropicadas. "Tirando rápido, elas inoculam quantidade menor de veneno."

Para quem é alérgico e não está fazendo nenhum tratamento, é bom se manter numa distância segura dos insetos. "Geralmente o local fica dolorido. Dependendo da sensibilidade da pessoa, pode sentir náuseas, urticárias ou ter vermelhões pelo corpo, febre e até edema de glote", explicou.

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