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Células estaminais podem ajudar a tratar doenças do sistema nervoso central

19/09/2011
Tratar doenças com células manipuladas do próprio corpo é um caminho que o investigador Mário Grãos procura a partir das células estaminais mesenquimais do tecido do cordão umbilical. No Biocant Park de Cantanhede, e em parceria com a empresa Crioestaminal, pioneira em Portugal na criopreservação de células estaminais, o investigador estuda as células estaminais mais centrado na sua potencial aplicação em doenças do sistema nervoso central causadas pela perda de mielina, uma substância que ajuda os nervos a receber e interpretar as mensagens do cérebro. «Potenciais aplicações são as doenças desmielinizantes do sistema nervoso central, como por exemplo a esclerose múltipla, e outras desse tipo. Estamos a fazer ensaios laboratoriais com alguns resultados interessantes que permitem ter essa vontade de continuar. Estas células têm um potencial bastante alargado para esse tipo de doenças e para outras», explicou à agência Lusa. Há dois anos a coordenar a investigação, mais centrada na esclerose múltipla, espera dedicar os próximos um ou dois anos a ensaios in vitro e depois passar para modelos animais, e testar a função destas células para corrigir defeitos de desmielinização do sistema nervoso central. «Estas células em concreto têm várias vantagens porque são células que podem ser criopreservadas e podem obter-se de vários locais do organismo. Há sempre um potencial de utilização autóloga, ou seja de um paciente poder vir a utilizar as células do próprio organismo para regenerar o próprio organismo», sublinha. Numa fase essas células poderiam ser retiradas do organismo, ou resgatadas de um banco de células, se provém da conservação do cordão umbilical, e depois «em laboratório fazer-lhe alguma manipulação para ajudar a diferenciarem-se no tipo celular que é pretendido» para a doença que especificamente se pretende tratar. «Pode haver uma vertente em que estas células num estado indiferenciado podem ajudar o próprio sistema a regenerar-se, e há uma outra abordagem, em que se possa diferenciar essas células numa linhagem para substituir as células que ficaram em falta», acrescenta. «Uma das grandes vantagens que eu vejo é o facto de a pessoa poder utilizar as próprias células sem estar a ter problemas de rejeição» do organismo, na transplantação, conclui Mário Grãos.

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