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Multiplem e sua briga pelo paciente de EM

28/04/2009

Tudo começou com uma frase-bomba do Dr. Charles Tilbery: “Vocês brasileiros não sabem exercer a cidadania. Vão à luta atrás de seus direitos!”. O impacto dessa frase fez com que Antonio Carlos Coelho, uma paciente de EM, se movimentasse. E trouxesse outros eles para a briga.

 

O Multiplem – Grupo de Abordagem Multidisciplinar de Terapia e Esclerose Múltipla existe há 17 anos. E começou com a busca de medicamentos que deveriam ser de responsabilidade do Estado. E o Estado cumpriu seu papel por dois meses, e parou a distribuição do medicamento. A movimentação teve início.

 

Pacientes de EM e seus cuidadores começaram a questionar a decisão do Estado, em interromper esse benefício. Os primeiros questionamentos não deram resultados. O grupo cresceu um pouco, cerca de 15 portadores passaram a fazer pressão, fizeram movimentos, reuniões.

 

A terceira reunião do grupo contou com a participação do advogado Carlos Eduardo Valdejão. Com a presença do advogado, as discussões passariam a um outro estágio, o Legal, e o dr. Carlos orientaria as ações na Justiça pelo direito de receber a medicação pelo SUS. O advogado trabalhou rápido, e 15 dias depois o primeiro parecer favorável chegou às mãos dos pacientes.

 

Outros portadores entraram em contato com Antonio Carlos, pedindo orientações para pleitear na Justiça o mesmo direito. As Demandas foram contra o Secretário de Saúde, e outros Estados passaram pelo mesmo processo.

 

O primeiro passo para conseguir a medicação foi dado por Antonio Carlos. A partir daí, o Governo acordou. José Serra, quando Ministro da Saúde, chamou o advogado, dr. Carlos Eduardo e Antonio Carlos para uma conversa. Deste bate papo e de outras conversas pelo Brasil, saiu a Portaria Ministerial dando aos portadores de EM o direito à medicação fornecida pelo SUS.

 

Diferente de outras associações, o Multiplem não é assistencialista, não têm profissionais de saúde dando orientações ou ministrando tratamentos em sua sede. Aliás, a sede é a residência de AC, e ele e sua esposa Sonia, dão informações sobre direitos, indicam as associações assistencialistas mais próximas do paciente, criaram uma rede ativa de portadores e cuidadores pelos seus direitos.

 

Tanto Antonio Carlos quanto Sonia fazem questão de participar de Workshops e Congressos. Essa busca por informações é útil ao trabalho que realizam, é preciso estar atento aos avanços em terapêuticas e medicamentos para prover a rede com informações fidedignas.

 

Atualmente, o Multiplem está envolvido com uma ONG que procura conseguir do Estado o material para o trato de pacientes com problemas relacionados à Bexiga Neurogênica. A luta não pára nunca, virou vocação. E abrir o leque de apoio significa muito para pessoas com o espírito batalhador de Antonio Carlos Coelho, portador de EM, e sua esposa e cuidadora, Sônia.

 

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