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Esclerose múltipla não é causada por mielina danificada

23/03/2012
Cientistas agora procuram causa do desenvolvimento da MS no sistema imunológico, em vez de no sistema nervoso central A mielina danificada no cérebro e na medula espinhal não causa a doença auto-imune esclerose múltipla (MS). A hipótese é defendida por neuroimunologistas da University of Zurich,na Suíça, em colaboração com pesquisadores de Berlim, Leipzig, Mainz e Munique. Na edição atual da revista Nature Neuroscience, a equipe, portanto, descartou uma hipótese popular sobre as origens da MS. Os cientistas estão agora procurando principalmente a causa do desenvolvimento da MS no sistema imunológico, em vez de no sistema nervoso central. Milhões de adultos sofrem com a esclerose múltipla, uma doença incurável. É relativamente certo que a MS é uma doença auto-imune na qual as próprias células de defesa do corpo atacam a mielina no cérebro e na medula espinal. A mielina envolve as células nervosas e é importante para a sua função de transmissão de estímulos como sinais elétricos. Existem numerosas hipóteses não confirmadas sobre o desenvolvimento da MS, uma das quais foi agora refutada pelos neuro-imunologistas na sua pesquisa atual: a morte dos oligodendrócitos, como as células que produzem a bainha de mielina são chamadas, não desencadeia a MS. Hipótese neurodegenerativa obsoleta Com sua pesquisa, os cientistas refutam a chamada "hipótese neurodegenerativa", que baseou-se em observações de que alguns pacientes apresentaram danos na mielina característicos sem um ataque imunológico discernível. Na hipótese popular, os cientistas assumiram que os danos na mielina causados pela MS ocorrem sem o envolvimento do sistema imunológico. Neste cenário, a resposta imune contra a mielina seria o resultado - e não a causa - do processo patogênico. O objetivo do projeto de pesquisa foi o de confirmar ou refutar esta hipótese com base em um modelo de rato. Usando truques genéticos, eles induziram defeitos de mielina sem alertar a defesa imunológica. "No início do nosso estudo, encontramos danos na mielina, que se pareciam muito com as observações anteriores nos pacientes com esclerose múltipla. No entanto, não conseguimos observar nenhuma vez uma doença auto-imune semelhante à MS", explicou Burkhard Becher, professor da University of Zurich. Para verificar se uma defesa imune ativa faz com que a doença baseada em uma combinação de infecção e de danos à mielina, os pesquisadores conduziram uma série de novas experiências - sem sucesso. "Não foi possível detectar uma doença semelhante à MS - não importa o quão intensamente tenhamos estimulado o sistema imunológico. Nós, portanto, consideramos a hipótese neurodegenerativa obsoleta", disse Ari Waisman, professor da University Medical Center Mainz. Foco no sistema imunológico As equipes envolvidas no estudo querem continuar pesquisando as causas e as origens da MS. "À luz destes e de outros novos resultados, a pesquisa sobre a patogênese da MS é obrigada a se concentrar menos no cérebro e muito mais no sistema imunológico no futuro", disse o professor Thorsten Buch da Technischen Universität München.

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