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Por que não copiar bons exemplos?

28/08/2012

Luiz Gonzaga Carvalho e Silva - Lugo

Nesses meus longos anos de vida, só tive a ventura de constatar eficiência em muito poucos governantes deste país. O fato de enaltecer as administrações dos referidos cidadãos que, por certo, realizaram excelentes governos, não significa que eu esteja enaltecendo os governantes pelo lado político, mas como administradores da coisa pública! Refiro-me ao presidente Juscelino Kubitschek, ao governador Carlos de Lacerda, do antigo Estado da Guanabara, e ao prefeito Jaime Lerner, de Curitiba, que, a meu ver, foram os únicos administradores públicos que deixaram marcas indeléveis relativas as suas administrações. Esses três políticos, para alcançar o êxito em suas governanças, tinham como virtudes a onisciência e a onipresença, pois eles sabiam de tudo, principalmente, do que se passava nos seus governos e estavam sempre presentes em todos os lugares onde fatos relativos as suas administrações estivessem acontecendo. A propósito dessa forma de agir, registram os historiadores que D. Pedro I, quando Imperador, tinha essa característica, pois preparou a Independência do Brasil, através de ordenações bem-estudadas, muitas sugeridas por seu conselheiro, José Bonifácio, o Patriarca da Independência. Ele inspecionava se suas ordens eram cumpridas.

Juscelino Kubitschek, baseando-se na primeira constituição republicana de 1891, a qual previa a mudança da Capital Federal para o interior do Brasil, dedicou-se integralmente a concretizar aquele projeto, prioridade em seu plano de metas. Para isso, cercou-se de competentes técnicos, como o arquiteto Oscar Niemeyer, o arquiteto Lucio Costa, o arquiteto paisagista Burle Marx e muitos outros especialistas, formando uma equipe homogênea e obediente aos objetivos presidenciais. Mesmo contando com os mais expressivos técnicos na efetivação do projeto, Juscelino, a par de seus afazeres governamentais, inspecionava pessoalmente o andamento das obras, exigindo qualidade e rapidez na execução, para concluí-la no prazo previsto, dentro de seu mandato.

Quanto a Carlos de Lacerda, acompanhei, par e passo, sua administração, interesse provocado desde o início de seu governo, pelos projetos relativos às melhorias da cidade do Rio de Janeiro. Lacerda, detentor de excelente tino administrativo, também, cercou-se de técnicos competentes sendo um deles o engenheiro sanitarista Enaldo Cravo Peixoto, titular da Secretaria de Obras.
Outro fato do qual fui testemunha ocorreu na obra de construção da agência bancária do BEG—Banco do Estado da Guanabara—no longínquo bairro do Irajá. Em vários dias da semana, Carlos de Lacerda visitava aquela obra, para acompanhar os trabalhos. Registra-se que, nas diversas inspeções que fazia, ele aproveitava as viagens de carro para efetivar audiências agendadas para o palácio, levando em sua companhia o cidadão que havia solicitado a entrevista e ganhava tempo!
Como resultado positivo, efetivou: a construção de túneis, ligando zona norte e zona sul; terminou com o flagelo secular da falta d’água na cidade, principalmente, na zona sul, construindo a estação de tratamento do Guandu, obra que documentei fotograficamente, percorrendo o quilométrico túnel; terminou a reurbanização do aterro do Flamengo; removeu e urbanizou favelas, como exemplo, a Cidade de Deus e a Nova Holanda; melhorou muito a qualidade dos hospitais e ordenou o trânsito da cidade, tendo como diretor do Detran o Cel. Américo Fontenele, oficial da Aeronáutica, que tinha o mesmo perfil do governador, pois mandava fazer e ia verificar o resultado. 
Jaime Lerner foi outro cidadão que, ao assumir o governo, metamorfoseou a cidade de Curitiba, usando os mesmos métodos dos dois governantes acima retratados. Para melhor espelhar esse cidadão, aproveito-me de um texto publicado no site da internet, Planeta Sustentável, de autoria de Regina Galvão e publicada na Revista Casa Claudia, onde, está registrado: “Jaime Lerner, o realizador de sonhos - Referência mundial em planejamento urbano, o arquiteto que já foi duas vezes prefeito de Curitiba e duas vezes governador do Paraná mostra como pode ser simples transformar uma cidade!”. Jaime Lerner tem reconhecimentos internacionais, por suas excelentes administrações.
Infelizmente, as atuais administrações, no geral, têm como metas: fazer politicagem de baixo nível; apresentar projetos populistas irrealizáveis; praticar nepotismos e envolver-se em atos ilícitos. Enfim, não fazem nada de proveitoso e durável para beneficiar o cidadão. Em suas gestões apartam-se do povo, não ouvindo seus reclamos e só voltam às ruas nas vésperas de eleições, para pedir votos.
Pondero: ao votar, não vistam camisas políticas, não se apaixonem por quem não costuma ter amor pelo povo, pois nossa formosa cidade, Nova Friburgo e o Brasil necessitam de “Administradores Competentes”, não de aventureiros que só prometem e nada fazem. Os exemplos mostrados devem ser imitados, porém, no mundo político atual poucos são os que têm o dom de bom administrador, pois costumam ser, apenas, políticos. Portanto, avalie quem é quem ao votar!


FONTE:  A VOZ DA SERRA

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