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Estudo muda visão sobre agravamento da esclerose múltipla

28/08/2012

Uma nova pesquisa envolvendo ressonância magnética (MRI) mostra que mudanças no fluxo sanguíneo do cérebro, associadas com anormalidades nas veias, não são específicas da esclerose múltipla e não contribuem para seu agravamento, apesar do que alguns cientistas já especularam. Os resultados do estudo estão publicados online na revista Radiology.

"A ressonância magnética permitiu uma avaliação precisa do fluxo sanguíneo cerebral que foi crucial para os nossos resultados", afirmou Simone Marziali, do Departamento de Diagnóstico por Imagem da Universidade de Roma Tor Vergata. A esclerose múltipla é uma doença do sistema nervoso central em que o sistema imune do corpo ataca os nervos. Existem diferentes tipos da enfermidade, e os sintomas e a gravidade variam.

Pesquisas recentes sugerem uma associação entre a doença e insuficiência venosa cerebrospinal crônica (CCSVI, na sigla em inglês), uma condição caracterizada por comprometer o fluxo sanguíneo nas veias que levam sangue ao cérebro. A relação aumentou a especulação de que a esclerose múltipla poderia ser tratada com procedimentos endovasculares. No entanto, o papel das alterações no fluxo sanguíneo encefálico em pacientes de esclerose ainda é incerto.

Para investigar a associação, os pesquisadores italianos compararam o fluxo sanguíneo em 39 pacientes de esclerose múltipla e 26 indivíduos saudáveis. A partir disto, 25 dos pacientes e 14 do grupo saudável deram positivo para CCSVI, com base nos resultados do ultrassom com doppler colorido. Os pesquisadores usaram dinâmica do contraste por ressonância magnética para avaliar o fluxo sanguíneo no cérebro dos dois grupos de estudo.

Enquanto os pacientes de CCSVI mostraram diminuição do fluxo cerebral e do volume em comparação com os que não têm a insuficiência, não houve interação significativa entre a esclerose múltipla e a doença. Além disso, os pesquisadores não encontraram correlação entre o fluxo e volume sanguíneo na matéria branca do cérebro e a gravidade de esclerose múltipla.

De acordo com Marziali, os resultados sugerem que a CCSVI não é uma condição patológica relacionada com esclerose múltipla, mas provavelmente é um processo acessório que ocorre no decurso da doença, mas não está necessariamente relacionado com ela. Isso é importante porque, até o momento, os estudos sobre a prevalência de CCSVI em pacientes com esclerose múltipla têm sido inconclusivo.

"Essa pesquisa demonstra claramente a importância do papel da ressonância magnética em definir e entender as causas da esclerose múltipla", disse Marziali.

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