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Esclerose múltipla atinge mais de 30 mil brasileiros

06/09/2012

São Paulo – Segundo a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (Abem) há mais de 30 mil portadores da doença, com maior predominância entre mulheres com idade entre 20 e 40 anos, porém pode ocorrer em crianças e indivíduos com faixa etária maior.

A esclerose múltipla apresenta sintomas que podem ser confundidos com qualquer doença neurológica. Um dos principais sinais predominantes não específicos é a neurite óptica, inflamação do nervo óptico representado pelo nervo que transporta luz e imagens visuais da retina para o cérebro, ou seja, perda da visão. 

Uma substância gordurosa chamada Mielina forma uma bainha que envolve e protege as fibras nervosas do sistema nervoso central, o que torna possível a rápida condução de impulsos. No entanto, qualquer dano ou destruição desta bainha interfere na transmissão do impulso nervoso, que pode causar diminuição da sensibilidade bem como dificuldade para caminhar e ausência da coordenação motora.

O diagnóstico final só acontece quando há recorrência dos sintomas, que são transitórios no início da doença e duram apenas alguns dias. Segundo o professor titular em neurologia da Faculdade de Ciências Médicas da Faculdade Santa Casa de São Paulo, Charles Peter Tilbery, a esclerose múltipla é multifatorial.

Em muitos casos, o paciente já possui uma determinante genética, com algum vírus desenvolvido na infância, que é capaz de ficar alojado no organismo e mais tarde desencadear uma reação imunológica. 
“A esclerose múltipla pode ocorrer também pelo fato de o indivíduo morar em locais distantes da Linha do Equador, portanto, com baixa insolação assim como o excessivo uso de vacinas e antibióticos industrializados que contribuem para que possamos ficar susceptíveis à doença”, ressalta o especialista.

O neurologista acrescenta ainda que 30% dos pacientes têm o diagnóstico somente depois de três anos. “Se o indivíduo estiver viajando, tem uma perda visual súbita e depois de dois ou três dias, o sintoma desaparece. Esta pessoa não se dá conta de que essa perda pode ser o primeiro indício da esclerose, porém, deixa passar despercebidamente”, exemplifica.

Prevenção e Tratamento

Por se tratar de uma doença crônica, a esclerose múltipla não tem cura, mas o tratamento é feito à base de remédios específicos que são disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O doutor Tilbery reforça que o diagnóstico precoce é importante uma vez que não existe prevenção para este caso. “Há indícios de que a vitamina D pode ser utilizada como tratamento, mas essa não é uma verdade científica. Se existe a suspeita de esclerose, o paciente deve procurar um neurologista que tenha vivência na doença, além de não se automedicar com base em assuntos divulgados na internet”, enfatiza o médico.

A Santa Casa de Misericórdia de São Paulo tem o primeiro Centro de Atendimento e Tratamento de Esclerose Múltipla (CATEM) da América Latina, pertencente à disciplina de neurologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Fundado em 1997, o local foi construído com o objetivo de reunir pacientes portadores da doença em programas terapêuticos e de reabilitação física e psíquica em função da melhor qualidade de vida. No local, são desenvolvidos projetos, cursos e testes de novos medicamentos vindos de vários países.

FONTE: D24am

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