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Esclerose múltipla e qualidade de vida

11/09/2012

Quinze em cada 100 mil brasileiros sofrem de esclerose múltipla, segundo dados da Abem (Associação Brasileira de Esclerose Múltipla). A doença, que é autoimune (ou seja, acontece quando o próprio corpo começa a se atacar), afeta o sistema nervoso central,  provoca uma diminuição da capacidade de transmissão dos estímulos nervosos e atinge principalmente jovens e adultos entre 20 e 40 anos. “Ao contrário do que se imagina, a esclerose múltipla é uma doença dos jovens e não dos idosos”, explica o neurologista Getúlio Daré Rabello, do Hospital Samaritano de São Paulo. 

Os sintomas podem se manifestar já na adolescência. “Dormência, déficit motor, falta de coordenação, visão dupla e dificuldades de caminhar estão entre os primeiros sinais da doença. Muitas pessoas, que desconhecem a a esclerose múltipla, podem pensar que o paciente  em crise está embriagado, o que faz com que ele tenha receio de aparecer publicamente durante um surto”,  conta Getúlio.

Os primeiros sintomas que o  jornalista e documentarista Daniel Cunha teve foram sensitivos. “Um dia, eu acordei com metade do rosto dormente e com fraqueza no lado direito do corpo. O problema foi piorando até eu precisar ir ao médico.” Para Daniel, a pior parte após receber o diagnóstico da doença foi o tratamento. “Eu tomava uma droga chamada Interferon uma vez por semana. Os efeitos colaterais eram terríveis. Na noite em que eu aplicava eu não dormia e o dia seguinte era perdido. Eu comecei a ficar deprimido com a perspectiva de que a minha vida seria assim para sempre”, conta o jornalista.
Daniel já havia perdido as esperanças de ter uma vida normal, como a que vivia antes do diagnóstico, quando fez uma consulta com o neurologista Cícero Coimbra, que administra um tratamento com base em vitamina D. 

O médico explica que a substância, que leva nome de vitamina, mas é, na realidade, um hormônio imunorregulador,  é suficiente para o tratamento. “A vitamina D é responsável por mais de 200 funções celulares e desempenha um papel essencial na regulação do sistema imunológico, o que a torna importantíssima para o controle de  doenças imunológicas”, conta Cícero. Daniel ficou tão  satisfeito com o tratamento, ainda  considerado alternativo, que decidiu fazer um documentário (leia mais ao lado) para que mais pessoas tenham acesso à terapia.

Esperança na alternativa

O interesse do jornalista Daniel Cunha em divulgar o tratamento que o ajudou a controlar a esclerose múltipla resultou no documentário “Vitamina D – Por Uma Outra Terapia”. O filme conta a história de seis portadores de doenças autoimunes  (a maioria com esclerose múltipla) que tiveram suas vidas transformadas por um tratamento à base de vitamina D.

“Em minha primeira consulta com o neurologista Cícero Coimbra ele disse que, com a vitamina D,  eu iria entrar em remissão permanente, ou seja, não teria mais nenhum sintoma da doença e poderia abandonar o tratamento com o interferon, que me causava efeitos colaterais muito violentos. Foi exatamente o que aconteceu. Desde que comecei a terapia, há mais de dois anos,  nunca mais tive sintoma. Faço uma dieta especial, mas tenho uma vida normal”, conta o jornalista de 27 anos.

Para o médico, a diminuição da exposição solar causou uma pandemia de deficiência de vitamina D. “A falta dessa substância é relacionada a diversas doenças como câncer, complicações cardiovasculares, AVC e autismo, além das autoimunes. Infelizmente, a vitamina D não pode ser encontrada em doses altas nos alimentos. A exposição solar ainda é o principal meio de adquiri-la, além da reposição por meio de medicamentos”, conta o médico.

Além de não ter efeitos colaterais, o sucesso da vitamina D no tratamento de doenças autoimunes é impressionante. Enquanto o interferon diminui as crises dos pacientes de esclerose múltipla em apenas 30%, a vitamina D praticamente as elimina na maioria dos pacientes observados. “Apenas pacientes em estágio muito avançado  não conseguem uma evolução tão grande, apesar de serem também muito beneficiados. Em outros casos, a taxa de sucesso alcança 95%.”

O neurologista lamenta que a nova terapia não seja mais difundida. “O tratamento com Interferon chega a custar até R$ 11 mil por mês. A indústria farmacêutica lucra muito com a medicação tradicional, é muito difícil que apoiem um tratamento que é extremamente mais barato.”

FONTE: BOM DIA

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