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Uma «trégua» dada pela gravidez

18/12/2012

Gravidez reduz o risco de recaídas nas doentes que sofrem com esclerose múltipla.

Carla Marina Mendes | cmendes@destak.pt

Por cada homem que sofre com esclerose múltipla (EM), contam-se três mulheres com a doença. Um problema onde elas são, de facto, o sexo mais fraco, embora sem que as razões que o fundamentem sejam conhecidas. O que justifica que em destaque no IX congresso nacional da Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla (SPEM), que se realiza sábado, em Lisboa, esteja a gravidez, um estado de graça mesmo para quem sofre com EM. Até porque, confirma ao Destak um especialista, «sabe-se que durante a gravidez a probabilidade de a doença se exprimir diminui, como se de um “período de tréguas” se tratasse».

E diminui também o índice de recaída, apesar de aumentar após o parto. «Feitas as contas no final, constata-se que a gravidez não vem alterar o índice global de progressão da doença.» Ainda assim, João Mairos, chefe do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital das Forças Armadas, defende que «a decisão de engravidar é um assunto muito importante e deve ser tomada sobretudo em função da condição clínica da mulher e do projecto de vida do casal». 

Riscos e desafios

Riscos numa gravidez há sempre, mas aqui são os mesmos que enfrentam as mulheres saudáveis. «Não parece existir maior risco de abortamento, de doenças próprias da gravidez ou de bebés prematuros e o parto é igual ao de uma mulher não afectada.» No que diz respeito às alterações típicas da gestação, tudo depende «da condição clínica da mulher ao engravidar ou do eventual aparecimento de sintomas durante a gestação».

Mas há factores que importa controlar, «como o aumento de peso (que no final da gravidez atinge cerca de 12 Kg), as alterações urinárias e a obstipação, as dores lombares e a dor ciática».

Depois, é abrir os braços para receber o bebé, um momento de grandes desafios. É assim para as mulheres saudáveis e mais ainda para as doentes de EM. Tudo depende, explica o médico, «do grau de limitação da mãe», que torna imperioso o bom planeamento do período após o nascimento do bebé. «A adaptação do espaço e de utensílios, a modificação de rotinas, o transporte, o envolvimento do pai e dos avós, são factores muito importantes» nesta fase. A estes desafios juntam-se «os de carácter psicológico», como o medo da dependência, as depressões ou problemas com o casal.

Doentes privados dos medicamentos

«Viver com esta doença em Portugal é cada vez mais um desafio», refere Manuela Duarte Neves, directora da SPEM, «porque se assiste de novo a mais uma tentativa de regressão no tratamento dos doentes em alguns dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS)». Segundo a especialista, «em cada vez mais hospitais do SNS está a privar-se um número considerável de doentes da medicação adequada ». E as razões que o justificam «são de política economicista».

 

FONTE: DESTAK

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