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Eletroacupuntura: vida mais ativa às vítimas de Esclerose Múltipla

20/05/2013

A acupuntura é uma opção de tratamento muito eficaz para vários tipos de dores e enfermidades, sendo seu uso exclusivo ou complementar a cada problema. Uma forma diferente de sua aplicação, a eletroacupuntura, possibilita intensificar esses efeitos para fins terapêuticos e tem ganhado comprovações de que favorece o tratamento de pacientes com esclerose múltipla. 

A EM é uma doença inflamatória autoimune e degenerativa que compromete o sistema nervoso central, e alguns dos principais sintomas são problemas na fala e memória, formigamento dos membros, fadiga, visão turva e até cegueira. A atriz Cláudia Rodrigues, que interpreta a Ofélia, no programa Zorra Total, tem o diagnóstico há 13 anos e chegou a dar uma pausa na carreira para dedicar-se ao tratamento, tendo recebido alta médica no final do ano passado. 

Os sintomas acontecem porque a doença afeta diretamente a mielina, que é uma estrutura que envolve e isola as fibras nervosas. Com sua perda, existe um bloqueio da capacidade do cérebro, que atrapalha os impulsos nervosos que transitam por todo o corpo. A esclerose ainda não tem causa conhecida pela medicina. 

Em um estudo que acompanha três pacientes com esclerose múltipla, há 15 anos, o uso da eletroacupuntura impediu que crises com episódios agudos ou o aparecimento de sequelas de lesões do sistema nervoso fossem constatadas. A indicação da eletroacupuntura nos três casos foi feita na fase inicial da doença. 

Segundo o clínico geral e homeopata Rubens Zanella, especialista em acupuntura e membro do Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA), a eletroacupuntura não cura a doença, mas consegue oferecer uma vida mais ativa e independente a quem convive com a EM. 

“A eletroacupuntura aumenta a produção de corticosteroides endógenos e de endorfinas pelo organismo, substâncias que vão equilibrar o sistema imunológico. A contribuição no tratamento é enorme, porque diminui as reações autoimunes e a necessidade de medicamentos”, diz Zanella, que completa: “A medicação não deve ser interrompida, mas o ideal é começar o tratamento com eletroacupuntura antes do tratamento com a medicação convencional.” 

Segundo o neurologista Cristiano Milani, coordenador do Departamento de Atenção Neurológica e Neurorreabilitação da Associação Brasileira de Neurologia (ABN), não existem evidências científicas que recomendem o uso da eletroacupuntura para o tratamento dos mecanismos básicos que desencadeiam a EM. Contudo, ele diz que existem algumas evidências relacionando benefícios do tratamento com eletroacupuntura para sintomas específicos da esclerose, como a redução da fadiga e das dores crônicas. 

“Também foram observados aspectos positivos na qualidade de vida dos indivíduos submetidos ao tratamento. Mais especificamente, em outro estudo, pacientes com incontinência urinária evoluíram com melhora dos sintomas quando submetidos ao tratamento com eletroacupuntura”, informa Milani. 

Mas o neurologista da ABN ressalva: “Como tudo em medicina, para que um tratamento se transforme em uma recomendação, necessitamos que tais evidências sejam confirmadas com o tempo e novos estudos que repliquem os resultados obtidos previamente.” O neurologista Waldir Antonio Maluf Tognola, do Instituto de Neurologia, de Rio Preto, explica que o tratamento convencional da esclerose múltipla é feito com corticoide e imunossupressores – na fase aguda ou surto da doença –, imunomoduladores (interferon e acetato de glatiramer), que evitam que a doença entre em atividade novamente, controlando os surtos, além de anticorpo monoclonal. 

Neste último, seu uso é indicado quando não há resposta ao tratamento anterior.“Como regra, todo indivíduo diagnosticado com EM deverá, necessariamente, ser tratado conforme protocolo específico instituído nos diversos centros de referência distribuídos pelo país. Cabe ao neurologista definir qual a melhor opção terapêutica de maneira individualizada”, destaca Milanil. 

Como funciona 

O médico Rubens Zanella explica que a eletroacupuntura usa estímulos elétricos nos pontos de acupuntura que são potencializados em mais de 300 vezes o efeito da técnica tradicional. Após cada sessão, a extensão dos estímulos continuam a ser sentidos até duas horas depois. Em média, a eletroacupuntura deve ser feita de uma a duas vezes por mês. 

Os pacientes que participaram do acompanhamento tiveram apenas um ou dois episódios em um período de 10 anos. O destaque ficou, principalmente, pela intensidade dos sintomas que foram mais leves e com menos duração. 
“O uso de vitamina D em altas doses também é recomendado. O acompanhamento deve ter o consentimento assinado do paciente em assumir a necessidade de realizar exames periódicos”, destaca Zanella. 

O neurologista Waldir Antonio Maluf Tognola explica que, além do tratamento medicamentoso, também é indicada fisioterapia, de acordo com o tipo de déficit neurológico do paciente. Também recomenda-se uma alimentação com menos sal e reposição de vitamina D, quando necessário. O tabagismo prejudica o tratamento. 

“Os pacientes portadores de EM devem evitar também ambientes quentes, água aquecida no banho ou piscina, pois, apesar de não piorar a doença, aumenta a fadiga”, destaca o Tognola. 


Causa da doença ainda é mistério para medicina 

As causas da esclerose múltipla ainda não são definidas, mas algumas teorias trabalham que, devido a um erro na resposta imunológica de cada indivíduo, os sintomas têm início justamente quando o sistema imunológico já está amadurecido. “Nessa fase, de modo geral, já não somos tão suscetíveis aos agentes agressores comuns do meio ambiente - principalmente as infecções causadas por vírus e bactérias”, conta o neurologista Cristiano Milani, da Associação Brasileira de Neurologia. 

O médico diz que algumas teorias estão relacionando uma possível interferência de um agente viral, também desconhecido, como fator desencadeante a esta resposta controversa do sistema imunológico. Os últimos estudos observam que a deficiência em vitamina D também pode ter esse papel para o desenvolvimento do problema. 

“A doença é muito mais prevalente em países do hemisfério norte, como Canadá, norte dos Estados Unidos, Noruega e Finlândia, onde o número de horas de sol ao longo do ano é menor. Estudos epidemiológicos clássicos relacionam um maior risco de desenvolvimento de esclerose múltipla quanto maior a distância em que a pessoa mora a partir da linha do Equador”. 

Como a confirmação da doença ainda é difícil, o neurologista Waldir Waldir Antonio Maluf Tognola explica que alguns centros foram criados para melhorar o diagnóstico e tratamento. Em Rio Preto, o centro fica no ambulatório de neurologia do Hospital de Base. “Todos os pacientes portadores ou com suspeita da doença têm consultas periódicas para o diagnóstico e controle da doença. Os atendidos são pacientes das redes pública e privada”. 

As medicações são oferecidas aos pacientes que realizam o tratamento nos centros de referência, como o HB. “Essas medicações têm custo elevado e podem alterar a imunidade dos usuários, por isso, é necessário um diagnóstico correto e que realmente indique o uso”, destaca Tognola.

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FONTE:

www.diarioweb.com.br

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