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‘Quero ter dois filhos e viver muito’, diz portadora de esclerose múltipla Josiane Brezolin, de 30 anos, convive com a doença há quase dois anos.

25/06/2013

“Convivo com a doença e levo uma vida normal há quase dois anos. Às vezes até esqueço do problema. Só me lembro por causa da injeção que tomo uma vez por semana”, garante a recepcionista de hotel Josiane Brezolin, de 30 anos, que descobriu ser portadora de esclerose múltipla em janeiro de 2012. “Quero ter dois filhos e ainda viver muito”, completa ao reforçar a importância do diagnóstico rápido e do tratamento contínuo. Casada desde fevereiro, tem no marido, Alexandre Rios, o principal incentivador.

Desde os primeiros sinais da doença até a confirmação do diagnóstico, conta Josiane, foram 16 meses. “Perdi temporariamente a visão do olho esquerdo e sentia muita dor. Somente o segundo oftalmologista que procurei desconfiou da doença e me pediu uma ressonância magnética. Mesmo assim, não foi possível diagnosticar. Só fomos ter certeza depois que apresentei o segundo sintoma. Tive um formigamento no braço direito, que se estendeu pelo pescoço e um lado do rosto. Outro exame então revelou a esclerose.”

A doença degenerativa não tem cura e as causas ainda não são certas. “Por enquanto sabemos apenas que tem maior incidência entre mulheres, pessoas brancas e com idade entre 20 e 40 anos”, observa o neurologista Jefferson Becker, professor da Universidade Luterana do Brasil e coordenador do Programa de Neuroimunologia do Instituto do Cérebro do Rio Grande do Sul.

A esclerose múltipla, explica, nem sempre é facilmente diagnosticada e os sintomas, que aparecem e desaparecem espontaneamente, faz com que as pessoas ignorem que possam estar doentes. “A doença se apresenta de algumas formas não muito claras como fadiga, dificuldade de controlar a urina, dores nos olhos, visão embaçada, com perda instantânea ou definitiva, e formigamentos pelo corpo, principalmente nos braços e pernas.”

O diagnóstico só é possível por meio de ressonância magnética, a qual indica as partes do cérebro afetadas pelas lesões características da doença. “Com o passar do tempo, os surtos - como são chamados as manifestações esporádicas de alguns sintomas – vão se tornando cada vez mais frequentes e com sequelas quase irreversíveis, como a perda da capacidade de enxergar, falar e até andar”, aponta.

Segundo Josiane, a família a tem ajudado no convívio com a doença (Foto: Arquivo pessoal)
Segundo Josiane, a família tem sido fundamental no
convívio com a doença (Foto: Arquivo pessoal)

Incidência e tratamento
Estima-se que no país cerca de 30 mil pessoas tenham a doença já diagnosticada. Uma pesquisa produzida pelo Instituto Ipsos Healthcare, revela que a maior parte dos portadores de esclerose múltipla está concentrada nos estados do sul e sudeste do país. “Há indícios de que a doença esteja relacionada à predisposição genética e que é desencadeada por fatores como a falta de vitamina D. A menor incidência de sol também estaria relacionada a estes fatores de risco”, afirma Becker.

Ainda segundo o especialista que participou do 14ª Encontro Anual do Comitê Brasileiro de Tratamento e Pesquisa em Esclerose Múltipla, realizado em Foz do Iguaçu, no oeste doParaná, entre os dias 12 e 15 de junho, medicamentos cada vez mais eficazes garantem maior qualidade de vida aos pacientes, aumentando o tempo entre os surtos e diminuindo as sequelas. “Os mais eficientes, disponíveis no Brasil desde 2006, são os injetáveis. A expectativa agora é pela aprovação dos administrados via oral, que tem mais aceitação entre os pacientes, e pela inclusão na lista dos remédios fornecidos pelo Sistema Único de Saúde.” Por mês, o tratamento custa em média de R$ 5 mil a R$ 10 mil.

 

FONTE: G1

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