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Melhora no tratamento para esclerose múltipla é reivindicada durante evento na Câmara dos Deputados, em Brasília

01/09/2013

A Câmara dos Deputados de Brasília recebeu nesta semana membros do Movimento dos Pacientes de Esclerose Múltipla (MOPEM)e associações de pacientes de São Paulo, Goiânia e Brasília para debater o panorama da assistência fornecida aos portadores da doença no Brasil e reivindicar um tratamento mais completo e humanizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Além do MOPEM, o encontro teve a participação da Associação Goiana de Esclerose Múltipla (AGEM), médicos especialistas e dos deputados Marçal Filho (PMDP/MS) e Mara Gabrilli (PMDB/SP).

 

Cleuza de Carvalho Miguel, Presidente do MOPEM e Conselheira no Conselho Nacional de Saúde (CNS), destacou as conquistas dos movimentos sociais para o avanço da saúde pública. “Se não fosse o movimento social, os pacientes com esclerose múltipla (EM) não teriam acesso a medicamentos essenciais para tratar a doença. Agora é o momento de atualizar o tratamento com as novas opções que foram desenvolvidas para melhorar a nossa qualidade de vida”, argumenta. A ativista, que também sofre de esclerose múltipla, defende a inclusão do tratamento via oral no SUS, uma alternativa às injeções. “Independente da quantidade de pessoas com a doença, o governo não pode negar o acesso gratuito a esses medicamentos”.

 

Um Projeto de Lei do deputado Marçal Filho, em tramitação na Câmara dos Deputados, visa garantir um tratamento mais adequado para pacientes com EM pelo SUS. “Caso seja aprovado, serão oferecidos atendimentos específicos multidisciplinares que incluem fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia, terapia ocupacional, hidroterapia, ioga e nutrição. Eles devem ser prescritos por hospitais públicos, melhorando a reabilitação do paciente diagnosticado com esclerose múltipla”.

 

 

 

Durante o debate, a deputada Mara Gabrilli pontuou falhas no cumprimento das políticas públicas, prejudicando os doentes. “Apesar de haver uma política pública para doenças raras, pacientes morrem sem atendimento ou são recebidos por profissionais sem capacitação. Além disso, o remédio não chega quando é necessário”.

 

Eduarda Assis, Diretora da Associação Goiana de Esclerose Múltipla, questionou a falta de engajamento do governo brasileiro para aplicar campanhas nacionais de esclarecimento sobre EM. “O estado que tem mais alta incidência de EM é Goiás. Uma possível razão é que a população local tem mais acesso a informações sobre a doença e consegue identificá-la com mais facilidade”, explica. Um exemplo de ação de alto impacto na cidade é a Meia Maratona em Movimento, voltada à conscientização sobre EM.

 

No Brasil estima-se que 25 mil pessoas tenham esclerose múltipla, uma doença que acomete principalmente mulheres jovens. Crônica e incurável, a doença afeta o cérebro e a medula espinhal (sistema nervoso central). Ela é causada por uma inflamação na bainha de mielina, tecido protetor que envolve as células nervosas. Essa inflamação diminui ou interrompe os impulsos nervosos. Os sintomas mais comuns são visão dupla, rigidez, fraqueza, falta de equilíbrio, dormência, dor, problemas no controle da bexiga e intestinos, fadiga, entre outros.

 

Ao contrário do que muitos imaginam, a esclerose múltipla não afeta somente pessoas mais velhas. “Neste caso, é justamento o contrário. Quem apresenta mais a doença são mulheres jovens (entre 20 e 30 anos). No entanto, a doença pode acometer homens, crianças e eventualmente, pessoas acima dos 50 anos”, explica Dr. Eber Castro Correa, neurologista do Instituto do Cérebro de Brasília (ICB).

 

O tratamento da esclerose múltipla tem dois objetivos principais: reduzir a fase aguda e aumentar o intervalo entre um surto e outro. No primeiro caso, recomenda-se o uso de corticosteroides para reduzir a intensidade dos surtos. No segundo, os imunossupressores e imunomoduladores ajudam a espaçar os episódios de recorrência e o impacto negativo que provocam na vida dos pacientes de esclerose múltipla.

 

A nova opção terapêutica, o medicamento oral, proporciona uma melhora cognitiva dos sistemas funcionais, motores e sensitivos. O tratamento oral já é utilizado em mais de 70 países. Apesar de aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no Brasil, não é disponibilizado pelo Sistema Público de Saúde.

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