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Mitos e verdades sobre a esclerose múltipla

13/09/2013

Mitos e verdades sobre a esclerose múltipla 

Na esclerose múltipla, o próprio sistema imunitário do corpo ataca e destrói a mielina, estrutura que encapa uma parte do neurônio

Na sexta-feira, 30 de setembro, foi comemorado o Dia de Conscientização sobre Esclerose Múltipla. A oportunidade serve para elucidar uma série de questões envolvendo essa importante doença neurológica, ainda imersa em muito preconceito e desconhecimento por parte de médicos e da população em geral. 

Veja abaixo alguns mitos e verdades sobre esse tema, respondidos pelo neurologista Leandro Teles, formado pela USP e membro da Academia Brasileira de Neurologia. 

A esclerose múltipla é uma doença muito rara:

Mito. A esclerose múltipla não é tão rara assim. Ela acomete jovens em todo o mundo e seus sintomas iniciam-se geralmente antes dos 30 anos de idade. 

Estima-se que existam cerca de 30 mil pessoas com esclerose múltipla no Brasil e cerca de 2,5 milhões pelo mundo. Para uma doença neurológica crônica é uma incidência bem alta, sendo uma das principais causas de incapacidade adquirida na população jovem e produtiva, perdendo apenas para traumatismo craniano. 

Ela ocorre mais em mulheres — três para cada homem — e pode atingir, eventualmente, crianças. 

A esclerose múltipla é uma doença degenerativa

Mito. Muita gente acha que a esclerose múltipla é degenerativa, como o Alzheimer ou o Parkinson, mas, na verdade, é uma doença inflamatória.

Na esclerose múltipla ocorrem surtos de inflamação de tempos em tempos — que é variável de paciente para paciente — no cérebro, medula ou nervo óptico (nervo da visão). A inflamação é gerada pelo próprio sistema imunológico da pessoa, que identifica a estrutura que encapa uma parte do neurônio (chamada mielina) como algo a ser agredido. 

Com isso surgem focos inflamados em alguma região do sistema que passa a funcionar com dificuldade. O sintoma do surto pode ser uma fraqueza, perda de sensibilidade, tontura, visão borrada ou dupla, o que dependerá do local atingido. 

Trata-se de uma doença crônica, autoimune (como a tireoidite, o diabetes tipo 1, o vitiligo, a psoríase, por exemplo) e de evolução tipo surto-remissão, uma vez que a agressão ocorre e depois cede, podendo deixar sequelas. Por isso, o tratamento é com anti-inflamatórios durante um episódio agudo e com remédios que regulam o sistema imunológico na fase de calmaria, a fim de evitar uma agressão nova. 

A esclerose múltipla pode levar a alterações intelectuais 

Mito. Os focos de "esclerose" são geralmente profundos e pequenos, com isso, raramente ocorre alteração intelectual ou de comportamento importante, mesmo com anos e décadas de doença. 

Os sintomas são predominantemente físicos, como fraqueza, alteração visual e alteração sensitiva. Casos de franco declínio intelectual são vistos muito eventualmente ou depois de muito tempo de seguimento e uma carga de lesão bem extensa. 

Isso é muito importante, pois muitos pacientes podem ter uma vida ativa e produtiva, tanto no aspecto físico, como intelectual e social. 

Esclerose múltipla atinge só pessoas mais velhas 

Mito. Muita gente associa o termo esclerose com idade avançada. Neste caso, é justamento o contrário. Quem apresenta mais a doença são mulheres, jovens (antes dos 30 anos), de pele mais clara (caucasianas). 

No entanto, a doença pode acometer homens, crianças e eventualmente, pessoas acima dos 50 anos. 

A esclerose múltipla não atinge os nervos

Verdade. A esclerose múltipla é uma doença predominantemente do sistema nervoso central. Ela acomete o cérebro (qualquer região, principalmente a substância branca, mais profunda) e a medula espinhal.

O único nervo que é atingido com muita frequência é o nervo óptico, causando embaçamento na região central do olho e dor à movimentação ocular. Os outros nervos do corpo geralmente são poupados. 

A esclerose múltipla tem tratamento

Verdade. É uma doença inflamatória causada pela ação equivocada do sistema imunológico. O tratamento visa reduzir o tempo e o grau de inflamação durante um surto e, fora dele, organizar melhor o sistema imune de forma a evitar uma ação equivocada contra o sistema nervoso. 

O tratamento crônico deve ser escolhido caso a caso e visa reduzir a taxa anual de surtos. Caso ocorra um, o tratamento com anti-inflamatórios na veia está indicado o quanto antes para facilitar a recuperação. 

Cada paciente evolui de um jeito, existem casos mais agressivos e casos de evolução bem mais benigna, aonde o paciente se mantém funcional por muitos anos e até décadas. 

O diagnóstico pode ser complicado e o tratamento é caro 

Verdade. O diagnóstico exige conhecimento médico especializado, geralmente de um neurologista clínico, e exames sofisticados escolhidos caso a caso. 

Com isso, uma parcela muito grande da população tem o diagnóstico atrasado e fica sem tratamento. Estima-se que apenas 5 mil dos 30 mil casos no Brasil tenham recebido diagnóstico e tratamento adequados. 

É fundamental disseminar os sintomas mais frequentes, preparar os médicos da atenção primária e melhorar o acesso aos especialistas. Com relação ao custo do tratamento, realmente as medicações que visam evitar os surtos são caras. No entanto, no Brasil, são dadas integralmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) mediante preenchimento de protocolo apropriado. 

FONTE: ZEROHORA 

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