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Difícil diagnóstico da esclerose múltipla impede tratamento adequado.

20/08/2009

Uma forte cãibra nas pernas e formigamento nas pontas dos dedos das mãos e dos pés. Foram esses os primeiros sintomas da esclerose múltipla, que começou a se manifestar, há sete anos, a dona de casa Maria das Graças Ferreira.

“Fiquei um ano tratando com ortopedista e as cãibras sempre aumentando”, lembra. A dona de casa só tomou o conhecimento de que era portadora da doença depois que a irmã a levou a um neurologista. “A doutora mandou fazer mapeamento cerebral e foi assim que eu soube”, relata Maria das Graças.

A doença do sistema nervoso é de difícil diagnóstico e esse é o principal motivo que leva ao baixo índice de pessoas que são tratadas adequadamente no Brasil.

De acordo com a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (Abem), dos 30 mil portadores da doença no país, apenas 5 mil fazem o tratamento corretamente. “É uma doença que não se descobre em pouco tempo. É preciso que vários exames sejam feitos. Depende de cada pessoa e dos sintomas dela. Não tem um dado como que dia, que hora, que momento que a doença aparece. O sintoma surge até no escuro. A gente fala que ele pode aparecer até de noite e você estar dormindo”, diz a presidente da Sociedade de Esclerose Múltipla de Brasília (Semb), Elizabeth Tozetti.

A esclerose múltipla ativa o sistema imunológico da pessoa contra suas próprias estruturas neurológicas. Dentre os sintomas da doença estão: visão borrada ou dupla, fadiga, fraqueza, formigamento, dormência nos braços ou pernas, incontinência fecal ou urinária, dificuldade para falar, relatos de apatia, desatenção, euforia e choro súbito.

O mal não tem cura, mas os medicamentos inibem os surtos de seus sintomas e permitem que o portador tenha uma vida praticamente normal. “A única coisa que ainda me dá é falta de equilíbrio, de coordenação motora e, às vezes, confundo a voz na hora que vou falar, ela fica enrolada”, conta Maria das Graças, que se submete três vezes por semana à aplicação de remédios.

Ainda não se sabe muito sobre a doença. As causas que levam uma pessoa a desenvolver a esclerose múltipla são quase que desconhecidas. Fatores genéticos ainda foram descartados pela medicina. “Não se fala nisso ainda. Tem muito estudo para fazer. Mas, hoje em dia, ainda não se diz que é hereditário, de jeito nenhum”, explica a presidente da Semb.

A falta de avanços nos estudos sobre a esclerose é um dos fatos que motivou a Federação Internacional de Esclerose Múltipla (MSIF) a instituir, neste ano, 27 de maio como o Dia Mundial da Esclerose Múltipla.

Fonte: Agência Brasil

 

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