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Portadora de esclerose múltipla, médica educa comunidades do Amazonas

26/11/2013

Fátima López ja formou cerca de 80 pessoas em algumas das regiões brasileiras mais carentes em atendimento à saúde

A solidariedade não conhece fronteiras, e uma amostra disso é o trabalho que a médica boliviana Fátima López - que sofre de esclerose múltipla - realiza no estado do Amazonas. Lá, há anos, ela ensina os cuidados básicos de saúde para voluntários e líderes de comunidades indígenas e ribeirinhas. 

 

Sua paixão para conhecer o mundo, sua vocação solidária e seus conhecimentos médicos levaram esta boliviana, nascida na cidade de Santa Cruz de la Sierra, a iniciar uma viagem sem retorno para o Brasil, para ajudar a melhorar a vida de algumas das comunidades mais pobres do país. "Me considero uma cidadã do mundo. Minha família são os moradores das comunidades onde desenvolvo meu trabalho, onde cheguei com apenas uma mochila e um sorriso", explicou à Agência Efe a médica, especialista em doenças tropicais.

 

Há três anos, Fátima vive com comunidades ribeirinhas no interior do Amazonas, onde ensina aos líderes comunitários algumas práticas médicas básicas para o cuidado dos moradores de uma das regiões brasileiras, que como ela mesma afirmou, é uma das mais carentes em atendimento à saúde.

 

Até o momento, cerca de 80 pessoas foram formadas em mais de dez comunidades, distribuídas nos municípios de Carreiro Castanho e Presidente Figueiredo, dentro de um trabalho voluntário no qual "são criados laços" devido à falta de políticas públicas locais.

 

A profissional, que visitou Manaus pela primeira vez em meados de 2000 para desenvolver uma pesquisa sobre doenças tropicais, lembrou as dificuldades que os habitantes da região passam para conseguir ter acesso aos serviços básicos de saúde. "Têm que pegar balsa, barco e caminhar durante muito tempo (até chegar aos hospitais)", explicou a médica sobre o percurso que os moradores têm que fazer para poder receber assistência médica.

 

Segundo a doutora boliviana, quando conheceu essa situação se sentiu na "obrigação" de ajudar, por isso, em 2010 decidiu se instalar no Amazonas para ajudar a melhorar a qualidade de vida dos habitantes de municípios carentes de auxílio básico de saúde.

 

Nas cidades de Carreiro Castanho e Presidente Figueiredo, os voluntários formados se organizam em grupos para atender às pessoas que sofrem algum tipo de problema de saúde.

 

Além de ajudar na sua preparação, Fátima também se encarrega de trazer profissionais brasileiros para participar de conferências e conselhos de saúde. "Eu gosto de cooperar. Às vezes, as comunidades se sentem esquecidas, mas também, as pessoas têm a possibilidade de aprender e ajudar os demais", afirmou.

 

A médica boliviana vê com bons olhos o programa "Mais Médicos", uma iniciativa do governo de Dilma Rousseff que teve início em junho para suprir a falta de profissionais nas áreas mais remotas e pobres do país.

 

No entanto, considerou imprescindível que se continue trabalhando "na formação local" que, na sua opinião, vai contribuir com o programa "Mais Médicos". "As pessoas têm sede de aprender, e quando compartilhamos, elas se sentem queridas. São protagonistas", destacou.

 

O trabalho de Fátima não seria possível sem a ONG "Semeando Saúde", uma associação sem fins lucrativos formada por um grupo de espanhóis que, sob o lema "ensinar, curar e prevenir para cultivar dignidade", arrecadam fundos para continuar formando "agentes de saúde" e ajudando à população ribeirinha. "Com eles, tenho uma família muito maior e, juntos, fazemos diferença", disse a médica, visivelmente emocionada.

 

O fato de sofrer de esclerose múltipla não representa uma empecilho para o seu trabalho no Amazonas. "Eu e a doença somos como o encontro entre o Rio Negro e o Solimões, caminhamos juntos e eu sou o Solimões, que vai mais rápido, e a esclerose é o Rio Negro, mais lento, mas caminhamos juntos", explicou a boliviana, que aprendeu com a doença que é preciso "viver com alegria".

FONTE: Terra

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