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Obesidade aumenta o risco de desenvolver esclerose múltipla

01/03/2014

Pesquisas que serão apresentadas em abril, na reunião anual da Academia Americana de Neurologia, na Filadélfia, afirmam que jovens obesos e mulheres que tomam pílulas anticoncepcionais são mais propensos a desenvolver esclerose múltipla. Enquanto o medicamento pode aumentar em 35% a chance de uma mulher desenvolver a doença, o risco pode ser duas vezes maior para aqueles com obesidade. Nos dois casos, hormônios estariam ligados ao mecanismo de ativação da esclerose múltipla.

Hoje, cerca de 2,5 milhões de pessoas no mundo sofrem da doença e 200 pessoas são diagnosticadas a cada dia. A esclerose múltipla afeta a mielina, uma camada protetora que envolve as fibras do sistema nervoso central. Os sintomas variam de problemas oculares à rápida deterioração, podendo causar paralisia. Porém, fadiga intensa, fraqueza ou dormência de membros são os que mais prejudicam as atividades diárias do portador.

Segundo a fisioterapeuta Marcela Batistuta, ela causa falta de motivação e de sono, sensação de incapacidade e diminuição de libido ou desejo sexual. “A fadiga é o sintoma mais comum da esclerose múltipla e é descrita como um cansaço intenso, que não tem relação com o nível de atividade nem com o grau de incapacidade física. Pode ocorrer diariamente e mesmo após uma noite de descanso. Tende a piorar com o progresso do dia e a se agravar com o calor e a umidade, sendo mais severa que a fadiga normal”, explica.

A especialista em Reeducação Postural Global (RPG) destaca que a fadiga afeta entre 70% e 90% dos portadores de esclerose múltipla, sendo o sintoma mais difícil de tratar e compreender por ser invisível. O diagnóstico é realizado por um neurologista e, embora não exista cura, acompanhamento adequado pode manter portadores mais ativos.

Marcela Batistuta indica algumas práticas para melhorar a fadiga. “Evite banhos quentes, temperaturas muito elevadas, exercícios excessivos, refeições pesadas e fumar. Planeje sua vida de modo a estabelecer uma escala das necessidades no trabalho, para que noitadas e ocasiões sociais sejam repartidas. Siga uma dieta sensata e reduza o peso, se for o caso. Fracione as atividades diárias e sempre respeite o período de repouso entre elas. Faça atividades leves conscientes, orientadas por um profissional, e procure controlar a depressão e o estresse”, ressalta a especialista.

O tratamento dos surtos é realizado com corticoide intravenoso durante três a cinco dias, que promove recuperação mais rápida, mas há medicamentos para reduzir a frequência e a intensidade dos surtos, assim como retardar a progressão da doença. Fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional podem aliviar incômodos, como fadiga, depressão, alterações urinárias e sexuais.

 

Fonte: JM ONLINE

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