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Esclerose múltipla é importante causa de afastamento do trabalho

20/09/2014

A esclerose múltipla é uma doença autoimune que acomete o sistema nervoso central, causando inflamação. O problema afeta, principalmente, adultos na faixa etária de 18 a 55 anos, mas também crianças e idosos. Conforme dados do IBGE, a doença atinge 15 brasileiros a cada 100 mil habitantes. A estimativa é de que no Brasil existam atualmente 29 mil pessoas convivendo com esclerose múltipla, sendo que 85% delas apresentam esclerose múltipla recorrente remitente.

Trata-se de uma doença degenerativa de forte impacto socioeconômico, afetando a vida de quem tem a doença e, também, a de seus familiares. Isto porque a Esclerose interfere em suas relações sociais, inclusive na capacidade laborativa, pois, quando a doença não tem diagnóstico precoce e tratamento correto, causa impacto ainda maior.

Por isso, a necessidade de tratamento da esclerose múltipla vai além dos medicamentos, sendo importante uma ampla assistência multidisciplinar, com foco na reabilitação social e profissional. A questão laborativa também é impactante, muitas pessoas perdem as condições para o trabalho e enfrentam avaliações periciais nas agências do INSS, realizadas por peritos médicos que desconhecem a complexidade da doença, prejudicando o paciente na concessão do auxílio doença.

Segundo a fisioterapeuta Marcela Batistuta, a fadiga é um dos principais sintomas a serem tratados, em virtude do impacto sobre a realização das atividades diárias. “Em qualquer distúrbio do sistema nervoso a pessoa afetada nota que se cansa mais rapidamente. Por isso, a fadiga, que é o sintoma mais comum da esclerose múltipla, é descrita como um cansaço intenso, que não tem relação com o nível de atividade nem com o grau de incapacidade física. Pode ocorrer diariamente e mesmo após uma noite de descanso. Tende a piorar com a progressão do dia e a se agravar com o calor e a umidade. Aparece facilmente e de repente. É geralmente mais severa que a fadiga normal e mais provável que interfira nas responsabilidades diárias”, esclarece.

Nos casos de esclerose múltipla, Marcela destaca que a fadiga afeta de 70% a 90% dos portadores e é descrita como o pior sintoma da doença. “É um dos sintomas mais difíceis de tratar e compreender, porque é invisível. Sua ocorrência pode causar equívocos, especialmente entre família, amigos e empregadores. Os membros da família podem pensar que uma pessoa com esclerose múltipla não está fazendo o que pode; problemas sexuais podem surgir entre os parceiros; os empregadores podem rotular a pessoa de preguiçosa. A fadiga pode ter um impacto devastador sobre as atividades diárias, o bem-estar geral e a situação no emprego”, alerta a especialista.

​FONTE: http://jmonline.com.br/novo/?noticias,7,SA%DADE,99707

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