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Produto chinês causa polêmica

21/09/2009

Hospitais suspendem aplicação de toxina botulínica em pacientes com esclerose múltipla e dizem que toxina é de baixa qualidade

Rio de Janeiro - Setembro de 2009

Boa notícia: o avanço da Ciência já permite que a toxina botulínica seja usada em tratamentos para devolver os movimentos de pacientes com doenças neurológicas. Má notícia: no Rio, a técnica parou de ser oferecida à população, em cinco hospitais públicos, devido a desacordo entre a Secretaria Estadual de Saúde e a equipe médica das unidades. Os profissionais de saúde reclamam que a toxina fornecida pela secretaria, fabricada na China, é de baixa qualidade, e que portando não podem usá-la nos pacientes. Já o governo alega que o produto foi comprado porque o fabricante ofereceu o menor preço e que ele é autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Só no Hospital do Fundão, há 170 pacientes na fila esperando pelo tratamento. O valor médio da versões fabricadas em países como França e Estados Unidos é de R$ 1 mil o frasco, suficiente para mais de uma aplicação. A Secretaria estadual de Saúde compra o produto da China por R$ 408.

Segundo a neurologista Ana Lúcia Rosso, em casos avançados de esclerose múltipla, ocorre o fenômeno da espasticidade, que causa o enrijecimento de braços e pernas. “Há casos em que o braço perde sua função, outros em que o paciente não consegue abrir a mão ou andar porque o pé está torto”. A toxina butolínica é aplicada no músculo, diminui a rigidez da região e favorece a recuperação dos movimentos. Na rede particular, cada aplicação custa, no mínimo, R$ 1 mil.

Segundo a neurologista Denise Xerez, o produto chinês, chamado Prosigne, só foi aprovado no Brasil e, apesar de ter sido liberado pela Anvisa, não é aceito pela Sociedade Brasileira de Medicina Reparadora. “É arriscado usar o produto chinês. Se acontecer alguma sequela, a culpa é do médico”, diz Xerez.

 

fonte: O DIA ONLINE

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