Pergunte ao especalista

Em Foco

Motorista verde

12/12/2009

Na semana do Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, veja aqui como você pode ajudar a reduzir as emissões de poluentes e seus efeitos sobre o planeta

 

Rio - Esta semana teve início a COP-15, 15ª Conferência das Partes, realizada pela UNFCCC (Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança Climáticas), que vai até o dia 18 de dezembro em Copenhague (Dinamarca), onde serão discutidas possíveis soluções para a questão do aquecimento global.

Pelo 4º relatório do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas), órgão que reúne cientistas especializados em clima, publicado em 2007, a temperatura da Terra não pode aumentar mais do que 2°C, em relação à era pré-industrial, até o final deste século, ou as alterações climáticas poderão sair completamente do controle.

Uma das metas da COP-15 é estabelecer metas para reduzir a concentração de gases que provocam o efeito estufa na atmosfera, responsáveis pela maior retenção de calor na superfície terrestre.

Prova de que a hora de mudar é agora é a estatística da Organização Mundial de Saúde (OMS), que mostra a poluição do ar como responsável por cinco por cento das 55 milhões de mortes anuais em todo o mundo. Diante deste cenário, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) divulgou a nova 'Nota Verde', lista com mais de quatrocentos veículos, que informa o nível de emissões de monóxido de carbono (CO), hidrocarbonetos menos metano (NMHC) e óxidos de nitrogênio (NOx) dos modelos produzidos no Brasil em 2009. Segundo o ministro Carlos Minc, esta ferramenta foi desenvolvida para que o consumidor brasileiro tenha plenas condições de escolher o carro que menos prejudique a atmosfera.

Desde a sua produção, um automóvel causa um enorme impacto ambiental. Portanto, cabe a nós, que usamos automóveis, tomarmos atitudes para que se reduza o pesado fardo sobre a natureza. Por isso, Automania reuniu algumas dicas (veja os infográficos) para reduzir o consumo de combustível e, consequentemente, a emissão de poluentes.

As projeções são alarmantes

O Instituto de Meio Ambiente e Projeções de Heidelberg, na Alemanha, fez um balanço ecológico, contabilizando o impacto ambiental causado por um automóvel, desde sua fabricação até o descarte no ferro-velho.

O estudo relata que um único automóvel é capaz de consumir ao longo de sua vida energia suficiente para garantir a eletricidade, a calefação e o transporte de um alemão que não tenha carro durante um período de até seis anos. Se, por exemplo, fosse levado em consideração um indiano na mesma condição, a constatação do Instituto de Heidelberg é ainda mais impressionante: seriam necessários nada menos que 76 anos para que ele consumisse essa mesma quantidade de energia.

A instituição alemã informa ainda que se fossem recolhidos os poluentes que são emitidos pelo sistema de exaustão de um automóvel e estendidos em uma superfície de 100 m², eles seriam capazes de formar uma coluna de fumaça com até 204 km de altura. Para se ter uma ideia do tamanho do ‘estrago’, basta saber que a troposfera (camada atmosférica responsável por 80% do peso atmosférico e a única em que os seres vivos podem respirar normalmente) tem espessura que pode variar de 7 km a 17 km.

E os cientistas de Heidelberg vão além. Afirmam que um utilitário esportivo que tenha 1.160 quilos é capaz de deixar para trás uma montanha de nada menos que 26,7 toneladas de poluentes, o equivalente a 23,8 vezes o seu peso.

SÉRIOS PROBLEMAS DE SAÚDE

A poluição provoca uma série de doenças, como, por exemplo, as respiratórias, as autoimunes e, até mesmo, cardíacas.

DOENÇAS RESPIRATÓRIAS
O ar, contaminado por gases produzidos por indústrias, veículos, grandes queimadas e outras fontes de poluição, afeta de maneira constante o aparelho respiratório, provocando inflamações e infecções, principalmente nos pulmões. Asma e alergia são figurinhas fáceis nos grandes centros urbanos. Estudo feito pelo Departamento de Poluição Ambiental da Faculdade de Medicina da USP afirma que na cidade de São Paulo três milhões de toneladas de poluentes são lançados no ar anualmente, sendo 90% oriundos de veículos — número quase 20% superior à toda a poeira industrial produzida na Alemanha.

A Environmental Protection Agency, dos EUA, que monitora e regulamenta a poluição ambiental, estabeleceu que níveis de poluição não podem superar 2,5 micrômetros para 65 miligramas por metro cúbico. Portanto, ninguém deve ficar exposto a valores superiores a estes durante um período de 24 horas.

DOENÇAS AUTOIMUNES
Além disso, estudos apontam que partículas poluentes, principalmente oriundas de solventes e gases produzidos pela queima de óleo diesel, também aumentam riscos de doenças autoimunes — distúrbios que aparecem quando as células de defesa agem contra o organismo. Pesquisadores afirmam que os poluentes atuam como agressores, não reconhecidos pelo organismo como uma substância própria. Como defesa, o corpo reage, produzindo anticorpos para eliminá-los, o que pode acontecer de maneira descontrolada, combatendo células do corpo.

Entre as graves doenças que podem ser causadas pela poluição estão a artrite reumatoide, tireoidite crônica autoimune, lúpus eritematoso sistêmico, síndrome de Sjogren, vitiligo e esclerose múltipla.

Estudo da Escola de Saúde Pública de Harvard, baseado no ‘Nurses Health Study’ (realizado com a ajuda de mais de 200 mil enfermeiras, desde 1976, e mais de 90 mil pacientes), mostrou que viver a menos de 50 metros de vias de tráfego intenso aumentou de 31% a 63% as chances de mulheres desenvolverem artrite reumatoide.

DOENÇAS CARDÍACAS
Estudo feito em Boston, publicado na 12ª edição de junho do ‘Circulation: Journal of the American Heart Association’, mostra aumento do risco de ocorrência de ataque cardíaco em pacientes vulneráveis (por exemplo, idosos com pressão arterial elevada e diabetes) após poucas horas de exposição a picos de poluição. Este estudo se soma a outros, como, por exemplo, o do Hospital do Coração de São Paulo, que alerta para o efeito da poluição no aumento da tensão arterial, da frequência cardíaca e problemas em desfibriladores cardíacos implantados.

Marcellus Leitão e Pedro Cuadrat

Outras Noticias