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Células endoteliais aumentam produção de células-tronco

12/03/2010
 

Células endoteliais recobrem o interior de vasos sanguíneos, formando a "parede" de capilares.

Células-tronco, também conhecidas como células estaminais, são a grande promessa na cura e tratamento de diversas doenças. Pela capacidade de se dividirem como nenhuma outra célula do corpo, dando origem a células semelhantes à progenitora (ou, melhor, com sua incrível capacidade de diferenciação, tornando-se células de qualquer parte do corpo), elas podem ser usadas em terapias que recuperem tecidos danificados e traumas. O grande problema até hoje, no entanto, foi saber como produzi-las em grande quantidade.

Embora as células-tronco existam e apareçam naturalmente no nosso organismo, a quantidade é pequena para a regeneração de um órgão. Até agora, as estratégias para expandir as culturas de células-tronco adultas sempre utilizavam fatores de crescimento, soro e manipulação genética – sendo bem sucedidas em apenas alguns casos. Entretanto, pesquisadores do Ansary Stem Cell Institute, do Weill College Medical College, EUA, descobriram uma maneira de produzir quantidades aparentemente ilimitadas em laboratório: células endoteliais – blocos básicos do sistema vascular – produzem estes fatores de crescimento, aumentando a quantidade de células-tronco adultas e descendentes ao longo de apenas uma semana. Até então, estas culturas morreriam em quatro ou cinco dias. O novo método promete uma propagação em cultura até 400 vezes maior, durante 21 dias.

A utilização de células endoteliais para a propagação de células estaminais, sem o uso de fator de crescimento ou soro, deve revolucionar o uso de células-tronco adultas para a regeneração de órgãos. Tem o potencial também de atuar inibindo o crescimento de células cancerígenas, através da compreensão da complexa fisiologia de uma célula-tronco adulta.

O conceito de que vasos sanguíneos não são apenas feitos para entregar oxigênio e nutrientes, mas também para propagar e manter células-tronco em suas formas maduras em órgãos adultos, é inovador. Usando uma nova abordagem para aproveitar o potencial das células endoteliais através de uma associação entre culturas com células-tronco, os pesquisadores descobriram os meios para fabricar uma oferta ilimitada de sangue que pode, eventualmente, suprir com células-tronco quem precisa de transplante de medula óssea.

O modelo de célula vascular estabelecido pelo estudo poderia ainda ser usado para aumentar o número de células-tronco funcionais em outros órgãos, como cérebro, coração, pele e pulmões. “Este estudo terá um grande impacto no tratamento de qualquer doença relacionada ao sangue, que necessite de um transplante de células-tronco”, diz o autor sênior do trabalho, Shahin Rafii. “Atualmente, as células-tronco derivadas da medula óssea ou do sangue do cordão umbilical são usadas para tratar pacientes que necessitem de transplante de medula óssea. A maioria dos transplantes é bem sucedida, mas em função da escassez de medula óssea e sangue do cordão umbilical compatíveis, muitos pacientes não podem se beneficiar do procedimento.

“Ao longo das últimas décadas, o financiamento substancial foi gasto no desenvolvimento de plataformas capazes de expandir as culturas de células-tronco adultas, mas estes esforços nunca foram capazes de manter células-tronco autênticas renovadas por mais de alguns dias”, continua Rafii. “A maioria das células-tronco, mesmo na presença de múltiplos fatores de crescimento, soro e terapias genéticas, morre após alguns dias.

O estudo, publicado na semana passada pela Cell Steam Cell, também mostra que as células endoteliais podem instruir as células-tronco a se diferenciarem em células do sistema imunológico. O trabalho revela ainda que, em um ano, os pesquisadores não constataram a formação de tumores quando transplantadas em ratos – sugerindo uma abordagem bem mais eficiente e segura de cultivo e utilização de células estaminais.

FONTE:ciencia diária

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