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Corte de preços dos medicamentos dificulta inovação

22/07/2010

O corte nos preços dos produtos farmacêuticos, como os governos europeus estão a fazer agora, irá reduzir drasticamente o número de novos medicamentos a entrar no mercado, de acordo com um estudo do setor, realizado por um grupo empresarial com sede em Berlim, informa a agência Reuters.

Um relatório da Escola Europeia de Gestão e Tecnologia de Análise da Concorrência (EMST CA), encomendado pela farmacêutica Novartis, revelou que há uma ligação direta entre a regulamentação rigorosa e o baixo nível de inovaçãono setor.

Novos medicamentos suscetíveis de serem atingidos pela regulação de preços incluem antibióticos, bem como tratamentos para a doença cardíaca e distúrbiosdo sistema imunológico como a esclerose múltipla e meningite crónica, revela o estudo.

O relatório surge no segmento de em toda a Europa os governos estarem a tentar reduzir os preços dos fármacos para tentar resolver os défices orçamentais em saúde.

O governo alemão aprovou um projeto de lei na terça-feira que pretende,eventualmente, poupar cerca de 2 mil milhões de euros (2,4 mil milhões dedólares) por ano, no custo de medicamentos patenteados. A Grécia também reduziuos preços dos medicamentos em mais de um quinto, em média.

"O nosso estudo mostra as consequências que a regulação dos preços e dascomparticipações pode ter na inovação farmacêutica. Também mostra que, aplicadaerradamente, a regulamentação pode reduzir o valor dos projectos farmacêuticose reduzir os recursos disponíveis para realizá-los", disse HansFriederiszick, da ESMT CA, no relatório.

"Os investidores racionais, naturalmente procurarão as opções de  investimento mais rentáveis, razão pela qual o regulamento tem um impacto directo sobre o número e características dos medicamentos desenvolvidos", pode ler-se no relatório.

Isto significa que os medicamentos mais inovadores devem receber mais atenção,explicou o especialista, enquanto as áreas importantes, como o desenvolvimentode novos antibióticos, podem ficar para trás.

Farmacêuticas como a GlaxoSmithKline e a AstraZeneca já estão aplicando cortes nas áreas da I&D, à medida que tentam posicionar-se para a situação da perda de patente de alguns dos seus medicamentos mais vendidos, que deverão expirar nos próximos cinco anos.

O relatório revela que enquanto os governos europeus continuarem a cortar nos preços dos produtos farmacêuticos como forma de controlar os custos da saúde pública, podem não perceber ou reconhecer as implicações para o valor do produto e, como tal, para o desenvolvimento de novos medicamentos.

O estudo acrescenta ainda que os preços de referência interna – umsistema utilizado na Europa em que os preços de um país são tomados como umponto de referência para os outros nas negociações – poderiam resultarnuma queda de quase 12% nos preços.

Além disso, um outro sistema de tarifação denominado "preço de benchmarking externo" - um modelo amplamente utilizado nos países da OCDE - podelevar a uma queda dos preços de quase 6%.

 

FONTE: RC PHARMA

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