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Células tronco para esclerose múltipla e lateral - O transplante de células tronco setransforma em opção clínica

16/08/2010

Células tronco para esclerose múltipla e lateral

O transplante de células tronco se transforma em opção clínica

Entre 2001 e 2009 o transplante de células tronco hematopoiéticas adultas e autólogas foi utilizado cada vez de maneira mais rotineira para doenças imunológicas em vários países da região do Mercado Comum Europeu. Entre estas doenças estão a esclerose múltipla, a  artrite reumatóide, as dermatomiosites e asespondilites.  

Em alguns outros países, como USA, Canada, Brasil, o transplante continou sendo realizado como um procedimento experimental. A diferença parece ter sido que os europeus conseguiam utilizar um protocolo chamado de BEAM sem ter mortalidade,ou seja, sem ocorrerem óbitos. Os canadenses também utiizaram o mesmo protocolo e não tinham óbitos, porém só faziam pouquíssimos casos, autorizados um a um por uma comissão mista de especialistas independentes. Os brasileiros utilizavam o BEAM, porém com adaptações aos hospitais brasileiros, e tinham complicações graves, inclusive óbitos. Os americanos utilizavam vários protocolos diferentes, não conseguiram uniformizar seus procedimentos, e também tinham óbitos. 

Apartir de 2009, na área do Mercado Comum Europeu, ocorreu uma mudança que sinalizou o fim da primeira década do século XXI. De um procedimento que precisava seguir um protocolo fixo em todos os centros europeus, os transplantes tornaram-se tratamentos considerados uma “opção clínica” em várias doenças imunológicas, inclusive em esclerose múltipla.Ou seja, desde que médicos e pacientes concordem, em esclerose múltipla, por exemplo, transplantes autólogos europeus, em geral seguindo o protocolo BEAM, são recomendados como mais uma das opções clínicas disponíveis. 

Durante esta década, no Brasil, transplantes autólogos também passaram a ser realizados de uma maneira mais rotineira, embora ainda dentro de protocolos orientados centralmente. Ou seja, todos os centros, em Ribeirão Preto, São Paulo eCuritiba, seguiam o mesmo protocolo. Porém, pacientes também vem sendo feitos fora de protocolo, em hospitais privados de Curitiba e São Paulo. O protocolo desteshospitais provados não é conhecido publicamente. Portanto, na prática, também no Brasil o transplante autólogo de células tronco hemeatopoiéticas de adulto passou a ser uma opção clínica nesta primeira década do século XXI. 

Óbitos e complicações graves continuaram a ocorrer no Brasil, nos hospitais públicos e nos privados. O grupo de Ribeirão Preto parou de ter óbitos mais recentemente,quando passou a utilizar um protocolo introduzido por um consultor de Chicago,Dr Burt. Este novo protocolo se baseia quase completamente na ciclofosamida, tanto na fase da mobilização de células tronco quanto na fase de condicionamento do transplantes. Nesta segunda fase é usada uma dose maior da mesma ciclofosfamida, com a globulina anti-timocítica, um medicamento biológico, muito semelhante aos anticorpos monoclonais como o Mabthera e oTysabri. Portanto, o Hospital das Clínica as de Ribeirão Preto passou a utilizar como protocolo de transplante autólogo em doenças autoimunes um procedimentoque não é muito diferente daquele que nós já utilizamos na Unidade de Neurologia Clínica desde 1998 e que veio a ser chamado de pré-transplante, baseado quase completamente na ciclofosfamida. 

Também como consequência da atitude européia de formalizar o conceito de que os transplantes são uma opção clínica em esclerose múltipla, fica muito mais rotineira ainda a indicação do pré-transplante, que vem a ser a quimioterapiasde alta dose mais semelhante ao transplante. Entre o Pré-transplante e o Renova, calculamos que estamos entregando respectivamente 40 e 60% da dos eimunossupressora de um transplante autólogo como como aquele realizado nos últimos anos em Ribeirão Preto e nos centros que acompanham sua metodologia. 

Ao  mesmo tempo, publicações francesas e norte-americanas deixaram claro que o uso de altas doses de ciclofosfamida é a rotina de tratamento em esclerose múltipla grave nos centros de excelência destes países. Foram publicadas entre o fim de2009 e o início de 2010 algumas grandes séries de casos de esclerose múltiplapediátrica e de neuromielite óptica, que tem a ciclofosfamida como seu principal tratamento. Também apareceram artigos originais e artigos de revisão indicando claramente que a ciclofosfamida utilizada por via endovenosa, em pulsoterapia, como doses grandes a certos intervalos, não é associada comoaparecimento de cancer, mesmo a muito longo prazo, tendo em vista que esta medicação existe no mercado há várias décadas.

Prof.Dr. Paulo Rogério M de Bittencourt, PhD

41.9961757541.33428999 41.32228801

  1. Médico, UFPr, 1976; PhD em Neurologia, University of London, 1981
  1. Especialista em Neurologia, Neurologia Infantil, Eletroencefalografia e Neurofisiologia Clínica; CRM-PR (5259) e CRM-SC (7499)
  1. Professor Titular de Neurologia, UFPr, 1991
  2. Membro Titular da Academia Brasileira de Neurologia
  3. Fellow da American Academy of Neurology
  4. Membro da European Neurological Society
  5. Membro do Conselho Médico da Associação Brasileira de Esclerose Múltipla
  1. Cidadão Benemérito do Estado do Paraná (2008)

Fonte: UNINEURO

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